Invisível; consciência

Este é um vídeo feito por mim, gravado no centro de São Paulo em 07/09/2010 – feriado da independência brasileira e época de intensa propaganda política em todos os meios de comunicação.

A intenção do vídeo é mostrar com um olhar realista que, enquanto milhares de números sobre melhorias surgem nas pesquisas e propagandas eleitorais, prefeitura e governo nunca foram tão indiferentes com a população carente, sendo impressionante a quantidade de moradores de rua encontrados a cada esquina do centro de São Paulo. Tratados por quase todos como se fossem invisíveis, estas pessoas sobrevivem silenciosamente – graças a pena de alguns e de si próprios – para se tornar apenas dados da triste pobreza escondida a cada propaganda do governo atual.

A urgência do voto consciente nunca foi tão necessária – não só pelo conteúdo do vídeo, mas também pelo caos no qual São Paulo se encontra. Vote conscientemente.

Crítica: Drácula de Bram Stoker

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0103874/

Os monstros clássicos sempre estiveram no imaginário popular, causando medo e fascínio em seus fans fiéis durante séculos. Um dos mais famosos e tradicionais é o conde Vlad Tepes, famoso pela crueldade com seus inimigos – diz-se que, além de beber o sangue, empalava seus inimigos no campo de batalha. Conhecido universalmente como Drácula, o conde teve sua história magistralmente dramatizada no homônimo romance de Bram Stocker em 1897, ganhando também diversas versões para o cinema posteriormente, sendo que uma das mais bem sucedidas é Drácula de Bram Stocker (1992), baseada na obra literária original e adaptada para o cinema por Francis Ford Coppola, com roteiro de James V. Hart.

 O filme conta a história do conde Vlad de diversos pontos de vista – ora do próprio conde, ora por das cartas do Jonathan Harker ou pela narração do Professor Van Helsing – com um roteiro dinâmico que busca sempre localizar o espectador em viagens através da Transilvânia e Londres. Viajamos por mapas, em navios ou elegantes carruagens, sempre por locações tenebrosas tomadas por sombra ou névoa, clima perfeitamente trabalhado e inspirado nos filmes clássicos de horror. Cenários e figurinos são belissimamente estilizados em uma mistura perfeita que remete ao teatro, quadrinhos e publicidade ao mesmo tempo, com cores vivas e figurinos deslumbrantes. Nunca sabemos de onde pode vir uma belíssima ameaça saída das sombras.

Gary Oldman, como Dracula

 Talvez a quantidade de informações adaptadas do romance tenha prejudicado um pouco o desenvolvimento dos personagens, que são muitos. Alguns aparentam estar ali apenas para afirmar o filme como adaptação fiel, o que muitos fans do romance inevitavelmente questionam. Keanu Reeves surge apático e inexpressivo como Jonathan Harker e Anthony Hopkins, com sua atuação energética, traz um Van Helsing instável e um pouco desequilibrado demais. Ao contrário de Winona Ryder, que com sua doçura é capaz de acalmar o pior dos monstros e do intenso trabalho feito por Gary Oldman, que apresenta um Drácula extremamente sedutor e perigoso. A atuação de Oldman, favorecida pelo roteiro de Hart, é também tocante por apresentar um vilão ameaçador e atormentado que, ao mesmo tempo em que segue instintos puramente animalescos, apresenta um sofrimento humano doloroso repleto de amargura, condenado a uma vida eterna de tortura e escuridão sem sua amada.

 Sobretudo, o Drácula de Copolla é um filme visual. Cada movimento de câmera valoriza cores e formas que enchem nossos olhos em cada enquadramento, tornando o filme mais atraente pela beleza plástica que pela narrativa. Belo sem abrir mão da violência gráfica, o filme é um imperdível exemplar do romance de horror gótico tradicional.