Mortal Kombat – Rebirth

O primeiro Mortal Kombat, dirigido por Paul Anderson (para mim, o único filme relevante de sua carreira), foi um sucesso marcante em 1995 – as lutas ao som do techno eram bem legais e empolgavam bastante moleques de 10 anos, minha idade na época. Mas, mesmo com a pouca idade, era impossível não pensar: mas e o sangue? Fatalities? Cadê tudo o que faz o jogo legal e diferente?

Pois teremos todo o potencial sério da franquia retratado de maneira realista e brilhante pelas mãos de Kevin Tancharoen, responsável  pelo projeto Mortal Kombat – Rebirth. Vejam o vídeo abaixo e confiram uma prévia da visão de Tancharoen para um novo início da franquia.

Para mais informações, visitem o link abaixo:

http://www.omelete.com.br/cinema/diretor-do-curta-de-mortal-kombat-explica-seus-planos-para-possivel-longa-metragem/

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Crítica: O Fantasma da Ópera – DVD (2004)

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0293508/

O Fantasma da Ópera, romance de Gaston Leroux publicado inicialmente em 1910, ganhou vida nos palcos com o musical de Andrew Lloyd Webber em 1986, se tornando um dos espetáculos mais celebrados da Broadway e do mundo – um imenso sucesso em cartaz até hoje em diversos teatros. O trágico triangulo amoroso foi levado para as telas do cinema por Joel Shumacher em 2004, com uma produção artística primorosa, porém com musicalidade comprometida.

No filme acompanhamos a bela Cristine (Emmy Rossum) que, após um “acidente” com a soprano residente do teatro de Paris, passa de dançarina à diva da música quando seu talento como cantora é descoberto, sob a tutela do misterioso Fantasma da ópera (Gerard Butler), auto-intitulado dono o teatro. Quando aparece Raoul (Patrick Wilson), amigo de infância de Cristine e novo investidor do lugar, inicia-se uma batalha entre ele e o Fantasma pelo coração da moça, o que trará conseqüências que envolverão todos os integrantes dos espetáculos.

O filme segue o mesmo enredo do espetáculo musical sendo fiel na maioria dos aspectos técnicos, da iluminação e efeitos especiais até as coreografias. Os cenários são grandiosos e remetem ao clima emocional dos acontecimentos, como podemos ver em seqüências como a da luta do cemitério ou na apresentação final no teatro de Paris – não perdemos nenhum detalhe dos belos figurinos e do acertado trabalho visual desenvolvido para o filme, valorizando bem as sombras, mas acentuando as cores em um belo contraponto de temas.

Gerard Butler, como Fantasma

Porém, a única falha do filme foi esquecer sua natureza. Não pelas músicas presentes no filme, adaptadas perfeitamente do musical e bem coreografadas em cena, mas pela interpretação vocal dos atores que, apesar de tentar executar da melhor maneira possível suas músicas (Gerard Butler merece destaque), fica evidente a limitação dos mesmos por não serem, de fato, cantores. Chega a ser irritante o uso de programas para desfarçar a desafinação e falta de técnica em algumas passagens, o que seria facilmente evitado se fossem selecionados atores de musical que, profissionais em canto e atuação, fariam tudo muito melhor.

Apesar de um belo filme, O Fantasma da Ópera de Joel Shumacher não tem o mesmo brilhantismo do musical que lhe deu origem. Trata-se de uma bela releitura de um grande espetáculo que encanta públicos pelo mundo inteiro, mas que não tem a mesma magia quando assistimos por um simples DVD.

Crítica: Atividade Paranormal 2

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1536044/

Obs: Há Spoilers!

Desde que vi a primeira notícia sobre Atividade Paranormal em 2007 me interessei instantaneamente pelo filme. Foi uma longa espera até seu lançamento comercial em 2009, quando pude finalmente assistir o longa de Oren Peli e vê-lo se tornar um imenso sucesso. Com uma fórmula completamente simples, orçamento reduzido e história bem conduzida – apesar de alguns furos – o filme se tornou uma sensação na internet e arrastou multidões para o cinema para se assustar com um simples filme de assombração que, diz a lenda, assustou até Steven Spielberg. Visto o alto faturamento, não demorou nada para ser produzida a seqüência Atividade Paranormal 2 que, infelizmente, não é nada além de uma cópia do primeiro filme, porém com mais personagens.

Neste filme a história se passa antes e termina durante os acontecimentos do primeiro. Acompanhamos Kristy (Sprangue Grayden), irmã de Katie do primeiro filme, que se muda para uma casa nova com o marido Dan (Bryan Boland), a enteada adolescente Ali (Molly Ephrain), a empregada latina Martine (Vivis Cortez), o recém-nascido Hunter (os gêmeos William e Jackson Prieto) e uma cadela pastor-alemão. Tudo parece bem, até que um dia a família encontra a casa misteriosamente revirada depois de voltar de um passeio, porém sem nada ter sido levado. É quando Dan instala câmeras de vigilância pela casa que começamos a acompanhar as manifestações paranormais registradas pelas gravações, além daquelas registradas também pela câmera da família, usada em momentos de descontração e, posteriormente, num momento chave da trama.

 Salvo os personagens adicionais, a história copia a narrativa do primeiro e traz novamente seus elementos assustadores: o escuro, rangidos, interferências em aparelhos eletrônicos, sombras. Aliás, não é engraçado como a internet tem tudo sobre demônios? Basta pesquisar para achar a explicação exata do que se precisa. Quer conversar com o sobrenatural? Tabuleiro de Ouija.  Temos até os personagens do primeiro filme de volta, em uma tentativa interessante, porém mal executada e contraditória, de entrelaçar as histórias. É completamente estranho neste filme vermos Katie tão ligada com a irmã e sempre fazendo visitas, já que no primeiro filme a vemos com Micah sempre isolados em casa, pedindo ajuda somente a um médium – não ter havido contato entre as irmãs durante todos os acontecimentos sobrenaturais ocorridos é simplesmente um furo absurdo, mesmo com o “pacto” que as duas têm de não falar sobre o assunto.

Tudo segue sempre a mesma ordem, desde as legendas que indicam em qual noite estamos até os enquadramentos, de forma repetitiva e irritante.  Os (poucos) novos elementos tentam dar à história um ar de frescor, mas nada vai além do convencional. Os adultos não podem ver o demônio, mas o bebê e cão sim. Há cenas em que podemos perceber claramente o uso de efeitos digitais e agora os poltergeists acontecem de dia, mas apenas um acontecimento na cozinha é de fato interessante.

É também interessante ver como o preconceito com as crenças alheias é impregnado na cultura americana. Neste filme também há um personagem que conhece o sobrenatural com a função de alertar sobre a força da assombração, mas desta vez, ao invés de um médium americano, é a latina Martine que assume a função. Assim que percebe o risco no qual se encontra o bebê da família tenta protegê-lo com rezas e incensos, para ser demitida na manhã seguinte por Dan, que alega não acreditar nos rituais e por não querer que o filho seja submetido a isto – tudo feito respeitosamente e completamente compreensível. Mas após a saída da empregada (que é cristã, como podemos ver durante o filme), quando Dan é questionado por Ali sobre o motivo da demissão, prontamente dispara que a empregada fazia bruxarias com a criança, colocando de lado qualquer respeito que possa ter demonstrado antes. Mas o mais espantoso é ver este ceticismo e preconceito abandonados rapidamente quando, em perigo, Dan não hesita em pedir ajuda para… Adivinhem quem? Martine. É bruxaria, é ruim ou não existe, a menos que seja necessário.

 

As gravações feitas pelas câmeras de vigilância, que registram tudo 24 horas por dia, mostram várias provas da atividade paranormal na casa (inclusive a levitação total de pessoas!), mas só são consultadas em momentos oportunos da trama. Personagens que sabem que algo muito ruim pode acontecer se ficarem sozinhas na casa o fazem mesmo assim. Porém a mais espantosa prova da incompetência dos roteiristas (um deles é o próprio Oren Peli, que tristeza…) é quando, perto do desfecho da trama, há uma falha de energia obrigando os personagens a usar a câmera da família, com a função de visão noturna ativada. Isto já foi tão copiado que é como se estivéssemos assistindo alguma paródia do tipo “Todo Mundo em Pânico”.

Relativamente tenso e repleto de sustos baratos, o filme é uma triste cópia preguiçosa do que já vimos no primeiro, mas sem a criatividade que levou uma multidão aos cinemas. Porém, o maior horror que podemos presenciar quando assistimos Atividade Paranormal 2 não é nenhuma assombração, susto ou poltergeist: é quando ele simplesmente vira o espanhol REC, de Paco Plaza e Jaume Balagueró.