Crítica: Mortal Kombat Legacy – Ep 7

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1842127/fullcredits#cast

Obs: Recomendo ver o sétimo episódio antes de continuar, o texto contém spoilers =) !

Este é o episódio que todos esperavam! Scorpion e Sub-Zero finalmente se enfrentarão em uma batalha fantástica e… Opa, peraí. Ah, ainda não. Claro.

Neste episódio (começo a reconsiderar esta nomenclatura, prefiro neste comercial) somos apresentados ao ninja/general Scorpion (Ian Anthony Dale) e sua família, que está à espera do Shogun do clã Shirai Ryu. Quando o general cai em uma emboscada e tem sua família raptada, descobre que o Shogun foi morto e enfrenta Sub Zero (Kevan Ohtsji), do clâ rival Lin Kuei.

Este episódio tem dois grandes méritos que, por si só, garantem seu sucesso pela verossimilhança com o universo ninja, sendo: 1- o belíssimo visual das locações, figurinos (apesar de Scorpion parecer um simples ninja, não um general) e efeitos visuais; 2-  o uso da  língua japonesa que, apesar de me parecer mecânico demais em cena, impressiona pelo fato de ser utilizado, já que americanos “não gostam” de legendas. Porém, apesar de ter um ótimo senso estético, o diretor Kevin Tancharoen demonstra não saber exatamente o que fazer com suas composições e supõe que seus espectadores não sejam inteligentes o suficiente para acompanhar sua “narrativa”, por exemplo ao ter que fazer brilhar de forma evidente e ridícula os olhos dos ninjas do clâ de Sub-Zero, para que não haja dúvida de que serão identificados. Tão discreto quanto usar uma camiseta azul estampada com LIN KUEI 4 EVER.

Ao menos neste episódio poderia ser dispensada a introdução que antecede o logotipo da série. Afinal, se vamos assistir a história de Scorpion, é desnecessário fazer um resumo de quem o protagonista é, afirmando novamente que o diretor simplesmente não tem timing para qualquer tipo de narrativa (a única que se salva é a do episódio #3), além de conduzir diálogos extensos e muito demorados – mas isto não é de fato um problema, já que a intenção era enrolar o espectador e deixar o clímax da história para a próxima semana não é? Deja-vu?

Aliás, é interessante ver como Tancharoen se acovarda ao tratar a trama de Scorpion e Sub-Zero – os dois maiores ícones do MK – com certo respeito à história original, visto que nenhuma grande liberdade estilística foi tomada desta vez. Mesmo assim, como de costume, há furos ridículos no roteiro: como pode a família de um general ficar completamente desprotegida? Eles realmente acreditam que colocar o filho do general, um garoto encantador mas irritantemente desafinado, para cantar na recepção do Shogun seria uma honraria, ao invés de simples exposição da criança como forma de aprovação incondicional? Como um general ninja pode cair em uma armadilha tão imbecil? Deus, são quatro roteiristas trabalhando nisso! Como podem?

Apesar do uso de música techno estragar um pouco o clima, o episódio é mais uma peça para o potifólio de Tancharoen que, como cineasta, será um ótimo diretor de videoclipes, visto que para o diretor a imagem é infinitamente mais importante que a narrativa. Que venha o oitavo comercial!

Update 1: Isso aqui é roupa de Scorpion!

Crítica: Mortal Kombat Legacy – Ep 6

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1842127/

Obs: Sinceramente, não recomendo ver o sexto episódio por constatar que esta série não é Mortal Kombat – estamos sendo enganados =( !

Depois de ver o episódio, pense um pouco e me diga: você acha realmente que acabou de assistir Mortal Kombat? Estou cansado de tanto exercício estilístico e não sei se continuarei a gastar meu tempo e paciência analisando esta asneira, que  tem por finalidade apenas aumentar a popularidade de um diretor medíocre.

Neste episódio vemos Rayden (Ryan Robbins) cair do céu em um hospício, onde é preso como louco e submetido a tortura. Com a ajuda de outra paciente, escapa e foge para a China.

Só.

Tancharoen acredita tanto que acabou de entregar um episódio memorável que foi capaz de colocar, no início, uma menção honrosa para si mesmo.  O que escrever de um diretor que, afirmando que fez a junção perfeita da realidade com “um pouco” de misticismo, inicia o episódio com um homem simplesmente caindo do céu com um raio? Isto, além de fazer o que bem entende com um dos mais icônicos personagens do universo MK sem o mínimo pudor,  transformando Rayden – o deus do trovão e protetor do reino da Terra – em um ladrãozinho que rouba chapéis de velhinos? Esta foi a maior prova da mediocridade e falta de respeito de Tancharoen.

Há outros aspectos tão mizeráveis no episódio (onde estão os poderes de Rayden? Por quê ficou dezenas de dias preso, se sabia como fugir? Que porcaria de tortura é aquela?) que escrever sobre ele é uma tarefa árdua e desgostosa que chega a doer – peço desculpas, mas paro por aqui.

Crítica: Nara

Sinceramente, nunca levei a Bossa Nova muito a sério. Nada me cativava naquele andamento suave e voz falada dos cantores que recitavam palavras sobre um amor idealizado e poético – até agora. Capaz de transmitir uma beleza que eu nunca havia enxergado, o espetáculo Nara é um universo de sensibilidade delicioso de assistir e me fez apreciar a MPB como nunca havia experimentado.

Nara Leão

Concebido por Fernanda Couto, o espetáculo musical nos mostra a vida e obra da cantora Nara Leão (1945-1989) que, com sua timidez cativante e musicalidade preciosa, recebeu o título de musa da Bossa Nova – estilo que surgiu em sua casa durante encontros com músicos visionários, dentre eles João Gilberto e Ronaldo Bôscoli. Nara resgatou o samba do morro, lutou contra a ditadura, apoiou a Tropicália, cantou rock, fez psicologia, foi dona de casa, mãe, esposa, amiga de muitos e um tesouro não só para a música brasileira, mas também para a nossa controversa nacionalidade. Sem dúvida um dos mais brilhantes nomes da música brasileira.

O espetáculo cativa desde o início com a entrada da encantadora atriz/cantora Fernanda Couto, que compõe Nara Leão com delicadeza graciosa e fidelidade impressionante. É prazer ouvir Nara cantar através de Fernanda, que é acompanhada por um magnífico trio de músicos/atores que enriquecem o espetáculo, tornando impossível assisti-los sem cantar junto: Rodrigo Sanches na percussão, Guilherme Terra no piano e William Guedes no violão esbanjam técnica, além de também cantar e interpretar personagens importantes na vida de Nara, como Cacá Diegues e Chico Buarque.

O diretor Márcio Araujo, também responsável pelo texto e roteiro com Fernanda, conduz o espetáculo de forma leve e orgânica deixando-o sempre interessante, reunindo aspectos técnicos primorosos pela beleza e simplicidade. A cenografia de Valdy Lopes é descontraída e funcional, com destaque para os tecidos que decoram o fundo do palco – pendurados como lençóis em varais, servem também como tela para projeções. André Boll ilumina o palco complementando perfeitamente o tom as cenas e as transições musicais, deliciosamente arranjadas por Pedro Paulo Bogossian. Simplesmente se esquece o tempo que, silenciado pelas músicas contagiantes, passa sem ser notado.

Fernanda Couto concebeu o espetáculo para, em suas palavras, “revelar ao grande público a trajetória da admirável e surpreendente artista Nara Leão”. Com alegria afirmo que a artista consegue ir muito além, fazendo o público deixar o teatro irremediavelmente apaixonado por Nara e ansioso para retornar. Eu mesmo não vejo a hora.

Eu e a adorável Fernanda Couto
 
Espetáculo: Nara  
Texto: Fernanda Couto e Márcio Araújo  
Direção: Márcio Araújo 
 
Teatro Jaraguá – Rua Martins Fontes, 71 – Bela Vista – SP 
Telefone: (11) 3255-4380
Ingressos: R$ 40,00 (sexta e domingo) e R$ 50,00 (sábado)

Crítica: Mortal kombat Legacy – Ep 5

 IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1842127/

Obs: Recomendo ver o quinto episódio antes de continuar, o texto contém spoilers =) !

Estou irritado com a irregularidade desta série e escrever sobre ela está ficando mais difícil. Acredito que tudo o que estamos assistindo são apenas exercícios estilísticos de uma equipe que precisa entregar o episódio no prazo.

Após o retorno do previously desnecessário (saiba mais aqui), o episódio retoma a história de Kitana e Mileena, agora já adultas e trabalhando como assassinas de Shao Kahn. A missão das ninjas é eliminar o Rei Jerod, que fugiu no episódio anterior e deixou vários impostores em seu lugar. Porém, ao descobrir uma importante informação sobre seu passado, Kitana pode colocar em risco os planos de Shao Kahn, que pretende dominar o reino da Terra.

As explicações pendentes do episódio anterior não foram mostradas, confirmando a incompetência dos roteiristas em desenvolver suas próprias idéias. Será que eles realmente acharam que bastaria colocar o fugitivo, covarde, traidor e possivelmente impostor Rei Jerod na frente de Kitana dizendo “eu sou seu pai”, para que a guerreira questionasse seu passado e as ordens de Shao Kahn? Neste caso a personagem tem um senso crítico tão desenvolvido quanto o de uma ameba, sendo necessário apenas dizer “você é a gorila Monga” para que ela acredite e fuja para a selva.

Desta vez Kevin Tancharoen usa as animações como tapa-buracos, sendo sempre desagradável sua alternância com o live-action – que apresenta sua única parte interessante na luta entre as duas irmãs. Este episódio mostra também a falha de administração do diretor, que no episódio anterior nos apresentou um novo mundo e diversos personagens muito bem, mas neste simplesmente não consegue terminar a história de maneira satisfatória. Este espaço seria importante para desenvolver a relação entre Kitana e Mileena, o que foi deixado de lado de maneira deprimente.

Eu gostaria de pensar: “caramba, a série já está na metade!” , mas penso: “caramba, a série AINDA está na metade.” Não sei o que esperar do sexto episódio.

Crítica: Mortal Kombat Legacy – Ep 4

 IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1842127/

Obs: Recomendo ver o quarto episódio antes de continuar, o texto contém spoilers =) !

Desta vez vemos a história de Kitana (Sam Tjhia) e Mileena (Jolene Tran), duas “irmãs” criadas por Shao Kahn (Aleks Paunovic) após o aprisionamento da rainha Sindel (Beatrice King), que ficou viúva do Rei Jerrod (Kirby Morrow) e viu seu reino ser tomado por Outwold após a perda de dez Mortal Kombats.

Este episódio é o que mais apresenta a mitologia do jogo e, apesar de gostar do realismo dos anteriores, admito que faltava este clima de fantasia e fiquei feliz ao vê-lo. É uma mistura interessante, com influências do prólogo dO Senhor dos Anéis e as animações de Kill Bill – estas que cumprem bem seu papel aumentando a dimensão dos cenários de Kelly Manson, concebidos de forma simplista, mas eficiente. Kevin Tancharoen conduz esta mistura de forma orgânica, com um belo resultado visual e narrativa fluente, passando várias informações de forma clara e dinâmica.

Mas é inegável que, apesar de ser um bom episódio, há furos no roteiro que precisavam ser melhor executados. Afinal, que tipo de mãe é Sindel que, para não ter que ver a alma da filha corrompida por Shao Kahn, tira a própria vida ao invés de proteger a criança? E faz pior – ela justamente o faz sabendo que, no futuro, poderá voltar à vida utilizando o corpo de Kitana! Neste caso, o que acontecerá com a alma da guerreira? Em momento algum Sindel é retratada como uma pessoa corrompida pelo mal e, se de fato o for, isto deveria ter sido explicado ainda neste episódio. O que aconteceu com o Rei Jerrod, que simplesmente sumiu não se sabe quando? E eu gostaria de ver como Mileena foi clonada por Shang Tsung – acho um item importante para sabermos porquê ela é meio Tarkatan (praticamente Uruk-hai não?) e tem dificuldades para conter seus impulsos animais.

Apesar dos furos – que serão erroneamente tapados só no próximo episódio, espero – foi uma ótima surpresa ter uma atmosfera nova e visual inventivo. Que venha o quinto!

Nota:  infelizmente as legendas do GameVício tem alguns erros de tradução que incomodam.