Diretor de Mortal Kombat: Rebirth fala sobre o universo da franquia, de censura e do futuro da série

Entrevista publicada online em 16/05/11 pelo site IGN, antes do lançamento dos episódios 6 e 7.

IGN TV: Como Mortal kombat: Legacy evoluiu para uma série mais centrada na mitologia? A Warner resistiu às idéias que você introduziu em Mortal Kombat: Rebirth, seu curta mais realista?

Kevin Tancharoen: Na verdade a Warner foi muito receptiva com a minha visão. Mas esta série foi mais baseada em torno do jogo, que logo seria lançado. Então eles queriam ter certeza de que esta web série tivesse o máximo possível de histórias no universo Mortal Kombat e do novo jogo. Com isso dito, fui autorizado a colocar um punhado de minhas idéias lá. Mas o design geral da série é para ajudar a promover o jogo, trazer o nome Mortal Kombat de volta. E todos querem ver um Mortal Kombat live-action. Este é um ótimo jeito de fazer tudo isto ao mesmo tempo.

Kevin Tancharoen no set com Jeri Ryan

IGN TV: Quão envolvidos estão os criadores do game na série?

Tancharoen: Nós trabalhamos ao lado de Ed Boon, co-criador do jogo. Ele foi fundamental, inserindo o universo à série.

IGN TV: Como você fez para adaptar a franquia para uma web série, com um orçamento tão limitado?

Tancharoen: Isto sempre foi um desafio. Acho que para todo diretor, a menos que você seja um James Cameron, sempre haverá restrições que desafiarão sua imaginação quando você começa a pensar na idéia. Uma web série propicia muito mais dificuldade só pelas razões de orçamento, e assim por diante. Eu realmente tentei escolher as lutas baseado em efeitos visuais. Quando você cria lutas mais mitológicas, seu orçamento fica inflado. Por isso escolhi fazer a maior parte das histórias em um ambiente mais realista.

Jax, Sonya e Kano estão em um ambiente mais real. Raiden e Johnny Cage também. Peguei aquilo que com certeza teríamos que fazer com efeitos, como a luta de Scorpion e Sub Zero. Todos querem ver a magia de gelo e o arpão. Não pude pensar em colocar Mileena e Kitana em um mundo real sem torná-las meras assassinas – isto iria distanciar demais o vídeo do universo MK, então me afastei da idéia. Separei os que seriam fantasia e os que seriam realidade. Infelizmente, isto dividiu a audiência na metade. Muitas pessoas gostaram de minha visão realista, mas também havia muita gente ansiosa para ver fantasia.

IGN TV: Definitivamente é uma linha tênue com os fãs.

Tancharoen: Sim, muito tênue. Sinto que minha intuição para manter as coisas enraizadas na realidade é válida. Até agora o único episódio fantásico foi o de Kitana e Mileena, e parece ter sido um dos mais vistos, o que me surpreendeu. Só o que eu ouvia era “fantasia, fantasia! Queremos fantasia!” (risos). É interessante.

IGN TV: Pensei que o episódio de Mileena e Kitana seria como o primeiro. Parece que as pessoas entenderam que a série teria fantasia, mas viram os primeiros três episódios “reais” e quando viram fantasia parece que foram jogados para outro lado.

Tancharoen: Sim, o que estes fãs precisam ver é que esta série é como Batman: Gotham Knight ou Animatrix, com histórias diferentes, estilos e mitologias diferentes para cada curta. Acho que muita gente está se confundindo pelo fato de as coisas não terem ligação. Ela foi concebida para ser uma antologia em oposição a algo linear. A primeira temporada é essencialmente uma coleção das histórias dos personagens.

IGN TV: Mortal Kombat: Legacy continuará além da primeira temporada, ou será simplesmente uma minissérie?

Tancharoen: Sim, definitivamente. É possível que a segunda temporada aborde a estrutura do torneio no jogo. Meu desejo é adaptar a web série e um filme. Atualmente acho que posso fazer os dois, já que há muitos personagens no universo MK. O que não farei com um filme live-action é tentar colocar o máximo de personagens possível. Vimos o que acontece quando tentam fazer isso no segundo filme (Mortal Kombat: Aniquilação). Fica muito confuso e difícil de acompanhar. São praticamente várias participações especiais, os fãs não querem isso (risos).

IGN TV: O que houve exatamente com a censura dos episódios? Tenho certeza que você ficou chateado com isso.

Tancharoen: (riso) Fiquei bem frustrado. Nenhum diretor quer que seu material seja censurado, mas acho que faz parte da história da franquia (risos). A censura da série é estranha, mas não foi algo que fizemos, foi algo a que tivemos que reagir, aparentemente do Youtube.

Em algum lugar os pais estão pirando

Fico pasmo, já que há muita coisa pior do que isto (a violência na série) lá, mas é devido à popularidade que conseguimos. Houve vários pais que acharam inapropriado. Por causa disso o Youtube teve que colocar uma solicitação de idade nos vídeos. O meio termo que usamos foi censurar os episódios e lançar uma versão sem censura depois. Claro, o DVD será sem cortes e você não precisará se preocupar com isso (risos).

IGN TV: Qual é seu personagem favorito e como você fez para deixá-lo com seu estilo?

Tancharoen: Meu personagem favorito sempre foi Scorpion. Sei que é clichê responder isto, por ele ser tão icônico. Mas sempre me lembro que quando jogava MK e ele era sempre meu principal. E, para todos os propósitos, sua história é o clássico conto de vingança. Sempre gostei deste tipo de história, que está profundamente enraizada em uma narrativa clássica. Estou tentando adaptá-la de um novo jeito, mas colocando nela um personagem que todos já conhecem há bastante tempo. É também interessante, já que muita gente só o conhece como o cara que arranca o rosto e queima as pessoas. Elas não sabem como ele se tornou um spectro. Sua história é enraizada em emoção, e este é o ângulo que estou abordando.

IGN TV: O que você tem planejado para os episódios futuros?

Tancharoen: Há várias coisas chegando. Scorpion e Sub-Zero. Há uma história para Raiden que é mais na linha realista – você verá que é uma abordagem bem diferente. Será bem divertido.

IGN TV: Qual seu próximo passo como cineasta emergente?

Tancharoen: Um grande filme de ação. É algo que eu sempre quis fazer e um objetivo para mim.

Confira o texto original aqui.

Crítica: Mortal Kombat Legacy – Ep 7

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1842127/fullcredits#cast

Obs: Recomendo ver o sétimo episódio antes de continuar, o texto contém spoilers =) !

Este é o episódio que todos esperavam! Scorpion e Sub-Zero finalmente se enfrentarão em uma batalha fantástica e… Opa, peraí. Ah, ainda não. Claro.

Neste episódio (começo a reconsiderar esta nomenclatura, prefiro neste comercial) somos apresentados ao ninja/general Scorpion (Ian Anthony Dale) e sua família, que está à espera do Shogun do clã Shirai Ryu. Quando o general cai em uma emboscada e tem sua família raptada, descobre que o Shogun foi morto e enfrenta Sub Zero (Kevan Ohtsji), do clâ rival Lin Kuei.

Este episódio tem dois grandes méritos que, por si só, garantem seu sucesso pela verossimilhança com o universo ninja, sendo: 1- o belíssimo visual das locações, figurinos (apesar de Scorpion parecer um simples ninja, não um general) e efeitos visuais; 2-  o uso da  língua japonesa que, apesar de me parecer mecânico demais em cena, impressiona pelo fato de ser utilizado, já que americanos “não gostam” de legendas. Porém, apesar de ter um ótimo senso estético, o diretor Kevin Tancharoen demonstra não saber exatamente o que fazer com suas composições e supõe que seus espectadores não sejam inteligentes o suficiente para acompanhar sua “narrativa”, por exemplo ao ter que fazer brilhar de forma evidente e ridícula os olhos dos ninjas do clâ de Sub-Zero, para que não haja dúvida de que serão identificados. Tão discreto quanto usar uma camiseta azul estampada com LIN KUEI 4 EVER.

Ao menos neste episódio poderia ser dispensada a introdução que antecede o logotipo da série. Afinal, se vamos assistir a história de Scorpion, é desnecessário fazer um resumo de quem o protagonista é, afirmando novamente que o diretor simplesmente não tem timing para qualquer tipo de narrativa (a única que se salva é a do episódio #3), além de conduzir diálogos extensos e muito demorados – mas isto não é de fato um problema, já que a intenção era enrolar o espectador e deixar o clímax da história para a próxima semana não é? Deja-vu?

Aliás, é interessante ver como Tancharoen se acovarda ao tratar a trama de Scorpion e Sub-Zero – os dois maiores ícones do MK – com certo respeito à história original, visto que nenhuma grande liberdade estilística foi tomada desta vez. Mesmo assim, como de costume, há furos ridículos no roteiro: como pode a família de um general ficar completamente desprotegida? Eles realmente acreditam que colocar o filho do general, um garoto encantador mas irritantemente desafinado, para cantar na recepção do Shogun seria uma honraria, ao invés de simples exposição da criança como forma de aprovação incondicional? Como um general ninja pode cair em uma armadilha tão imbecil? Deus, são quatro roteiristas trabalhando nisso! Como podem?

Apesar do uso de música techno estragar um pouco o clima, o episódio é mais uma peça para o potifólio de Tancharoen que, como cineasta, será um ótimo diretor de videoclipes, visto que para o diretor a imagem é infinitamente mais importante que a narrativa. Que venha o oitavo comercial!

Update 1: Isso aqui é roupa de Scorpion!

A miséria dos professores brasileiros

Este é um texto de e-mail. Repasso-o aqui pelo blog, para ajudar na divulgação contra as DISSIMULAÇÕES do governo de São Paulo sobre o “misericordioso” aumento de salário para os professores das ETEC’s e Fatec’s –  utilizadas à exaustão por Geraldo Alckmin em sua campanha para governador – e da gritante situação da educação no país. Além de receber um salário que não paga nem o aluguel de um quarto de pensão, os professores são submetidos a outras humilhações, como não ter água para beber e ter cota diária de papel higiênico nas escolas. Confira no vídeo e texto abaixo.

Wendell Campos

Eu como professor da ETEC do Centro Paula Souza venho solicitar a V.Sa. que olhe para a situação que nós estamos enfretando, independente do senhor fazer parte da situação ou oposição. Estamos sem reajustes ou reposições salariais desde 2004. Será que não somos trabalhadores? Todos os trabalhadores tem uma data base em que há uma negociação com seu patrão para, no mínimo, uma discusão da reposição de perdas salariais mas, como é visível, não temos esse direito.

Quanto a faixa salarial – o valor de R$ 10,00 por aula – acredito não ser um valor razoável a ser pago para a nossa categoria. E com 11% de reajuste creio que não muda quase nada, pois R$ 11,10 por hora/aula  nem é o suficiente para suprir o almoço, o combustível, atualizações de conteúdos (cursos/especializações) e materiais que temos que adquirir (como água algumas vezes, pois em várias escolas isso é um luxo). Além de termos que garantir o nosso papel higiênico, já que em várias unidades esse material tem uma cota por dia e, se acabar, não há reposição.

Portanto, enquanto a ETEC/Fatec é um orgulho do Estado de São Paulo, para nós professores é motivo de frustação, desgosto e um quebra-galho, pois na primeira oportunidade – ou melhor, qualquer outro emprego que pague um pouco a mais – vale a pena deixar a vaga para quem quiser pegar, e olha que anda difícil preencher as vagas. R$ 10,00 a hora/aula para quem se preparou um bom tempo é algo totalmente desproporcional.

Grato,

Um eleitor e por acaso professor,

Antonio Prado

Chove adiante

Do blog de Paulo Coelho

Lutar contra certas coisas que só passam com o tempo é desperdiçar sua energia. Uma curtíssima história chinesa ilustra bem o que quero dizer:

No meio do campo, começou a chover. As pessoas corriam em busca de abrigo, exceto um homem, que continuava a andar lentamente.

“Por que você não está correndo?”, perguntou alguém.

“Porque também está chovendo na minha frente”, foi a resposta.

Fotos do set – Silent Hill Revelation 3D

Silent Hill: Revelation será em 3D, com roteiro e direção de Michael J. Basset (Solomon Kane). As filmagens já começaram em Toronto e o filme tem a produção de Samuel Hadida (o mesmo do primeiro filme) e Don Carmody. Radha  Mitchel e Sean Bean vão reprisar seus papéis como Rose e Chris da Silva.

Mais sobre o filme aqui.