Crítica: Nara

Sinceramente, nunca levei a Bossa Nova muito a sério. Nada me cativava naquele andamento suave e voz falada dos cantores que recitavam palavras sobre um amor idealizado e poético – até agora. Capaz de transmitir uma beleza que eu nunca havia enxergado, o espetáculo Nara é um universo de sensibilidade delicioso de assistir e me fez apreciar a MPB como nunca havia experimentado.

Nara Leão

Concebido por Fernanda Couto, o espetáculo musical nos mostra a vida e obra da cantora Nara Leão (1945-1989) que, com sua timidez cativante e musicalidade preciosa, recebeu o título de musa da Bossa Nova – estilo que surgiu em sua casa durante encontros com músicos visionários, dentre eles João Gilberto e Ronaldo Bôscoli. Nara resgatou o samba do morro, lutou contra a ditadura, apoiou a Tropicália, cantou rock, fez psicologia, foi dona de casa, mãe, esposa, amiga de muitos e um tesouro não só para a música brasileira, mas também para a nossa controversa nacionalidade. Sem dúvida um dos mais brilhantes nomes da música brasileira.

O espetáculo cativa desde o início com a entrada da encantadora atriz/cantora Fernanda Couto, que compõe Nara Leão com delicadeza graciosa e fidelidade impressionante. É prazer ouvir Nara cantar através de Fernanda, que é acompanhada por um magnífico trio de músicos/atores que enriquecem o espetáculo, tornando impossível assisti-los sem cantar junto: Rodrigo Sanches na percussão, Guilherme Terra no piano e William Guedes no violão esbanjam técnica, além de também cantar e interpretar personagens importantes na vida de Nara, como Cacá Diegues e Chico Buarque.

O diretor Márcio Araujo, também responsável pelo texto e roteiro com Fernanda, conduz o espetáculo de forma leve e orgânica deixando-o sempre interessante, reunindo aspectos técnicos primorosos pela beleza e simplicidade. A cenografia de Valdy Lopes é descontraída e funcional, com destaque para os tecidos que decoram o fundo do palco – pendurados como lençóis em varais, servem também como tela para projeções. André Boll ilumina o palco complementando perfeitamente o tom as cenas e as transições musicais, deliciosamente arranjadas por Pedro Paulo Bogossian. Simplesmente se esquece o tempo que, silenciado pelas músicas contagiantes, passa sem ser notado.

Fernanda Couto concebeu o espetáculo para, em suas palavras, “revelar ao grande público a trajetória da admirável e surpreendente artista Nara Leão”. Com alegria afirmo que a artista consegue ir muito além, fazendo o público deixar o teatro irremediavelmente apaixonado por Nara e ansioso para retornar. Eu mesmo não vejo a hora.

Eu e a adorável Fernanda Couto
 
Espetáculo: Nara  
Texto: Fernanda Couto e Márcio Araújo  
Direção: Márcio Araújo 
 
Teatro Jaraguá – Rua Martins Fontes, 71 – Bela Vista – SP 
Telefone: (11) 3255-4380
Ingressos: R$ 40,00 (sexta e domingo) e R$ 50,00 (sábado)
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2 pensamentos sobre “Crítica: Nara

  1. Gostaria dde saber se o espetáculo viajará pelo Brasil, gostaria muito que viesse para Minas Gerais, sou muito fã da Nara!

  2. Olá Adriano!
    O espetáculo já passou pelo Rio de Janeiro e fica aqui em São Paulo até junho. Se não me engano outros estados receberão o musical no futuro, mas não tenho certeza – posso ter ouvido apenas rumores. Espero que você possa ver, será incrível.

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