Então… é natal? $Putz$

Quando se é criança não existe época mais mágica que o natal. Os presentes são as coisas mais esperadas da terra e tudo é alegria aos olhos infantes, iludidos facilmente com a história de que, ao menos naquele instante, reina a paz no mundo e todos se abraçam desejando tudo de bom. A família está reunida e acontece a melhor festa do mundo – quem sabe mais significante até que os aniversários.

Mas quando é que o natal começa a ficar uma merda? Tenho pensado nisso nesta última semana e acho que, para mim, o natal começou a parecer uma coisa sem graça, ou até mesmo desconfortável, quando me dei conta da força real que está por trás de toda a celebração da data. Nada histórico, nada bíblico, nada romântico. Dinheiro.

Quando a gente cresce aprende a dar presentes. Ótimo! É gostoso dar presente, ver alguém feliz após ganhar uma coisa legal. Porém há uma única coisa que pode te privar da deliciosa sensação de acertar na escolha do presente para a pessoa amada: a porra da grana. Faz um tempo que não dou presente por causa desta bendita que insiste em aparecer aos pingos mizeráveis por aqui. É quando gostaria de ser podre de rico! Sairia por aí presenteando todo mundo (leia-se: quem eu gosto e que mereça) e me tornaria Papai Noel honorário.

Mas hoje natal é sinônimo de cheque especial e faturas vindouras. Não rola. Perde a graça quando você é obrigado a lembrar do natal do ano que passou pelos próximos dez meses. Mas é por isso que os pais, mesmo assim, ainda alimentam as fantasias dos filhos – a única maneira de relevar o desgosto da dívida é ver todo o brilho da inocência nos olhos de uma criança que acabou de ganhar aquele presente que tanto queria. Mesmo que ela acredite que quem deu foi o Noel, e não o seu décimo terceiro salário.