Resenha: Um violinista no telhado (1971)

Fiddler on the Roof -1971, de Norman Jewison. Com Chaim Topol, Norma Crane e Leonard Frey.

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0067093/

Um violinista no telhado é um musical da Broadway de grande sucesso. Inspirado nos contos “Tevie the Milkman” de Sholem Aleichem, o espetáculo nos conta a história do pobre leiteiro judeu Reb Tevye (Topol), pai de cinco filhas e morador da pacata vila russa Anatevka, que sofre opressão e antissemitismo crescentes dos russos ortodoxos. A história retrata a perseverança de um povo perseguido que luta para se manter íntegro e seguindo suas tradições – um tema que logo despertaria o desejo do diretor Norman Jewison de levar Tevye também para as telas do cinema.

Há quem não goste de filmes musicais, mas Um violinista se torna irresistível logo em seus primeiros minutos pelas seguintes razões:

1) Topol dá a Tevye um carisma universal que, de tão apaixonado pela beleza de suas tradições e por seu modo de vida, nos desperta uma simpatia crescente por Anatevka e seus moradores a cada segundo da projeção. Dá vontade de tê-lo como vizinho, ou até mesmo parente. Seus diálogos com Deus trazem questionamentos tocantes e memoráveis – ora engraçadíssimos, ora emocionantes – que nos fazem refletir sobre a importância das tradições em geral e sua possível (mas não ilimitada) flexibilidade.

Topol, como Tevye

2) A música do espetáculo, brilhantemente composta por Jerry Bock, ganhou uma grandiosidade arrepiante pelas mãos do consagrado John Williams. Todas as músicas são absurdamente maravilhosas e inesquecíveis. Da mais alegre à mais triste, todas tem uma capacidade de emocionar o espectador de forma tão contagiante que é impossível ouvir só uma vez. As melodias são lindíssimas e as letras magníficas.

3) A direção de Norman Jewison é incrivelmente segura ao retratar a beleza de Anatevka e de seus habitantes, porém nunca nos deixando acreditar que estamos assistindo a um conto de fadas. Ao acompanharmos a história nos vemos completamente envolvidos por todos os personagens maravilhosos que nos encantam a cada cena, acompanhando com alegria ou tristeza cada novo elemento da narrativa como se fôssemos da família.

A metáfora do violinista é a perfeita representação da invejável perseverança judia: “Um violinista no telhado. Parece loucura não? Mas todos nós somos como um violinista em um telhado – tentando arranhar uma simples e bela melodia, sem quebrar o pescoço”. Com certeza Um violinista é um filme inesquecível e encantador, independentemente à qual religião você pertença.