Crítica: O Fantasma da Ópera – DVD (2004)

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0293508/

O Fantasma da Ópera, romance de Gaston Leroux publicado inicialmente em 1910, ganhou vida nos palcos com o musical de Andrew Lloyd Webber em 1986, se tornando um dos espetáculos mais celebrados da Broadway e do mundo – um imenso sucesso em cartaz até hoje em diversos teatros. O trágico triangulo amoroso foi levado para as telas do cinema por Joel Shumacher em 2004, com uma produção artística primorosa, porém com musicalidade comprometida.

No filme acompanhamos a bela Cristine (Emmy Rossum) que, após um “acidente” com a soprano residente do teatro de Paris, passa de dançarina à diva da música quando seu talento como cantora é descoberto, sob a tutela do misterioso Fantasma da ópera (Gerard Butler), auto-intitulado dono o teatro. Quando aparece Raoul (Patrick Wilson), amigo de infância de Cristine e novo investidor do lugar, inicia-se uma batalha entre ele e o Fantasma pelo coração da moça, o que trará conseqüências que envolverão todos os integrantes dos espetáculos.

O filme segue o mesmo enredo do espetáculo musical sendo fiel na maioria dos aspectos técnicos, da iluminação e efeitos especiais até as coreografias. Os cenários são grandiosos e remetem ao clima emocional dos acontecimentos, como podemos ver em seqüências como a da luta do cemitério ou na apresentação final no teatro de Paris – não perdemos nenhum detalhe dos belos figurinos e do acertado trabalho visual desenvolvido para o filme, valorizando bem as sombras, mas acentuando as cores em um belo contraponto de temas.

Gerard Butler, como Fantasma

Porém, a única falha do filme foi esquecer sua natureza. Não pelas músicas presentes no filme, adaptadas perfeitamente do musical e bem coreografadas em cena, mas pela interpretação vocal dos atores que, apesar de tentar executar da melhor maneira possível suas músicas (Gerard Butler merece destaque), fica evidente a limitação dos mesmos por não serem, de fato, cantores. Chega a ser irritante o uso de programas para desfarçar a desafinação e falta de técnica em algumas passagens, o que seria facilmente evitado se fossem selecionados atores de musical que, profissionais em canto e atuação, fariam tudo muito melhor.

Apesar de um belo filme, O Fantasma da Ópera de Joel Shumacher não tem o mesmo brilhantismo do musical que lhe deu origem. Trata-se de uma bela releitura de um grande espetáculo que encanta públicos pelo mundo inteiro, mas que não tem a mesma magia quando assistimos por um simples DVD.