Nox, Harry Potter!

Eu nem sou tão fã da série de livros – só li o primeiro – mas tenho que admitir que, depois que adquiriu um tom mais sombrio e adulto, passei a acompanhar e a admirar os filmes de Harry Potter. E com o lançamento desta última parte de As Relíquias da Morte também fui tomado por uma certa melancolia, já que não haverão mais filmes.

Mas o que eu tenho a ver com isso?

Como é um importante e grandioso desfecho, para mim foi impossível evitar a comparação de As Relíquias da Morte (daqui em diante HP7.2) com outra grande obra: O Retorno do Rei, de Peter Jackson. Há várias similaridades entre os dois filmes a respeito da dificuldade de amarrar todas as pontas de uma trama complexa e, confesso, me senti frustrado em dois pontos da narrativa de HP7.2, que foram bem melhor trabalhados no desfecho de O Senhor dos Anéis (daqui em diante SDA). A seguir:

1) Os dois filmes tem uma grande batalha antes do clímax final: a do castelo de Hogwarts em HP7.2 e a dos campos de Pellenor em SDA. Ambas são grandiosas e importantes, mas em HP7.2 vemos claramente que não era a intenção de David Yates focar parte do filme exclusivamente nesta grandiosidade, o que tornou a batalha do castelo de Hogwarts apenas um pano de fundo perigoso e fantástico para os protagonistas atravessarem enquanto corriam atrás do que era o foco principal – Harry vs. Voldemort. Eu queria acompanhar uma batalha detalhada e que mostrasse os personagens em ação, mas infelizmente não foi o que assisti. De forma alguma uma sequência de ação mais trabalhada atrapalharia a história, como podemos ver em SDA.

2) Nos dois filmes há o grande momento no qual toda a ameaça de mal é destruida por completo: a morte de Voldemort em HP7.2 e a destruição do Um Anel em SDA. Quando Frodo finalmente se dá conta de que cumpriu sua missão – destruir o Um Anel e acabar com Sauron – há um grande sentimento de alívio que é exprimido pelo personagem com uma exclamação tocante (“It’s gone! It’s done!”) seguida de um discurso emocionado quando se lembra de sua casa. Este importante momento de redenção não acontece com Harry que, de tão contido, me tirou grande parte  do alívio que deveria ser finalmente se livrar  de Voldemort.

Fora isso, foi um final  digno para uma cinessérie tão extensa e bem cuidada. Se eu, que não sou fanático pela série, fiquei triste com a chegada do fim, imagino o vazio que ficará para quem respirava este universo e cresceu acompanhando os filmes e livros. Foi uma grande jornada que teve um fim emocionante.

Daniel Radcliffe, J.K. Rowling, Emma Watson e Rupert Grint.