Crítica: Atividade Paranormal 2

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1536044/

Obs: Há Spoilers!

Desde que vi a primeira notícia sobre Atividade Paranormal em 2007 me interessei instantaneamente pelo filme. Foi uma longa espera até seu lançamento comercial em 2009, quando pude finalmente assistir o longa de Oren Peli e vê-lo se tornar um imenso sucesso. Com uma fórmula completamente simples, orçamento reduzido e história bem conduzida – apesar de alguns furos – o filme se tornou uma sensação na internet e arrastou multidões para o cinema para se assustar com um simples filme de assombração que, diz a lenda, assustou até Steven Spielberg. Visto o alto faturamento, não demorou nada para ser produzida a seqüência Atividade Paranormal 2 que, infelizmente, não é nada além de uma cópia do primeiro filme, porém com mais personagens.

Neste filme a história se passa antes e termina durante os acontecimentos do primeiro. Acompanhamos Kristy (Sprangue Grayden), irmã de Katie do primeiro filme, que se muda para uma casa nova com o marido Dan (Bryan Boland), a enteada adolescente Ali (Molly Ephrain), a empregada latina Martine (Vivis Cortez), o recém-nascido Hunter (os gêmeos William e Jackson Prieto) e uma cadela pastor-alemão. Tudo parece bem, até que um dia a família encontra a casa misteriosamente revirada depois de voltar de um passeio, porém sem nada ter sido levado. É quando Dan instala câmeras de vigilância pela casa que começamos a acompanhar as manifestações paranormais registradas pelas gravações, além daquelas registradas também pela câmera da família, usada em momentos de descontração e, posteriormente, num momento chave da trama.

 Salvo os personagens adicionais, a história copia a narrativa do primeiro e traz novamente seus elementos assustadores: o escuro, rangidos, interferências em aparelhos eletrônicos, sombras. Aliás, não é engraçado como a internet tem tudo sobre demônios? Basta pesquisar para achar a explicação exata do que se precisa. Quer conversar com o sobrenatural? Tabuleiro de Ouija.  Temos até os personagens do primeiro filme de volta, em uma tentativa interessante, porém mal executada e contraditória, de entrelaçar as histórias. É completamente estranho neste filme vermos Katie tão ligada com a irmã e sempre fazendo visitas, já que no primeiro filme a vemos com Micah sempre isolados em casa, pedindo ajuda somente a um médium – não ter havido contato entre as irmãs durante todos os acontecimentos sobrenaturais ocorridos é simplesmente um furo absurdo, mesmo com o “pacto” que as duas têm de não falar sobre o assunto.

Tudo segue sempre a mesma ordem, desde as legendas que indicam em qual noite estamos até os enquadramentos, de forma repetitiva e irritante.  Os (poucos) novos elementos tentam dar à história um ar de frescor, mas nada vai além do convencional. Os adultos não podem ver o demônio, mas o bebê e cão sim. Há cenas em que podemos perceber claramente o uso de efeitos digitais e agora os poltergeists acontecem de dia, mas apenas um acontecimento na cozinha é de fato interessante.

É também interessante ver como o preconceito com as crenças alheias é impregnado na cultura americana. Neste filme também há um personagem que conhece o sobrenatural com a função de alertar sobre a força da assombração, mas desta vez, ao invés de um médium americano, é a latina Martine que assume a função. Assim que percebe o risco no qual se encontra o bebê da família tenta protegê-lo com rezas e incensos, para ser demitida na manhã seguinte por Dan, que alega não acreditar nos rituais e por não querer que o filho seja submetido a isto – tudo feito respeitosamente e completamente compreensível. Mas após a saída da empregada (que é cristã, como podemos ver durante o filme), quando Dan é questionado por Ali sobre o motivo da demissão, prontamente dispara que a empregada fazia bruxarias com a criança, colocando de lado qualquer respeito que possa ter demonstrado antes. Mas o mais espantoso é ver este ceticismo e preconceito abandonados rapidamente quando, em perigo, Dan não hesita em pedir ajuda para… Adivinhem quem? Martine. É bruxaria, é ruim ou não existe, a menos que seja necessário.

 

As gravações feitas pelas câmeras de vigilância, que registram tudo 24 horas por dia, mostram várias provas da atividade paranormal na casa (inclusive a levitação total de pessoas!), mas só são consultadas em momentos oportunos da trama. Personagens que sabem que algo muito ruim pode acontecer se ficarem sozinhas na casa o fazem mesmo assim. Porém a mais espantosa prova da incompetência dos roteiristas (um deles é o próprio Oren Peli, que tristeza…) é quando, perto do desfecho da trama, há uma falha de energia obrigando os personagens a usar a câmera da família, com a função de visão noturna ativada. Isto já foi tão copiado que é como se estivéssemos assistindo alguma paródia do tipo “Todo Mundo em Pânico”.

Relativamente tenso e repleto de sustos baratos, o filme é uma triste cópia preguiçosa do que já vimos no primeiro, mas sem a criatividade que levou uma multidão aos cinemas. Porém, o maior horror que podemos presenciar quando assistimos Atividade Paranormal 2 não é nenhuma assombração, susto ou poltergeist: é quando ele simplesmente vira o espanhol REC, de Paco Plaza e Jaume Balagueró.

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