Crítica: Mortal Kombat Legacy – Ep 8

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1842127/fullcredits#cast

Obs: Recomendo ver o oitavo episódio antes de continuar, o texto contém spoilers =) !

Não me decepcionei com este episódio por um motivo: não criei expectativas de ser impressionado. Fora o belo visual não há mais nada de impressionante nele – a não ser o fato de que os fãs foram enganados mais uma vez pela “brilhante” capacidade de Kevin Tancharoen de aplicar sua “nova visão” à história dos personagens.

Este “episódio” retoma a narrativa do anterior para conferimos a conclusão da história de Scorpion – sua batalha com Sub-Zero e seu desfecho trágico.

Infelizmente esta conclusão é prejudicada principalmente por dois elementos que deveriam contribuir para o clímax dramático do episódio, mas que acabam decepcionando muito e atrapalhando o desfecho.

  1. O primeiro (que considero apenas um erro experimental que merece ser relevado) foi dividir a história de Scorpion em dois episódios: o sétimo, que serviu para conhecermos o personagem e criarmos empatia com sua família, a fim de nos importarmos com os mesmos; e o oitavo, que mostra o desfecho trágico da história. Tancharoen e seus roteiristas seguiram direitinho a cartilha “como desenvolver personagens”, mas ter uma semana de intervalo entre a apresentação da história e seu desfecho prejudicou muito a tensão criada;
  2. O segundo (que merece repreensão por ser absurdamente ofensivo) é revelar, no fim do episódio, que não havia Sub-Zero algum! Este era apenas um disfarce de Quan Chi (Michael Rogers) para levar Scorpion ao Mortal Kombat. Admito que foi uma alternativa aceitável trazer o feiticeiro para a narrativa e criar de outra forma a rivalidade entre os ninjas, mas o que não admito é o episódio ter sido vendido como o embate entre os dois maiores ícones da franquia – o que não acontece realmente.

O quê? Não havia Sub-Zero?

Aliás, eu realmente não entendo o porquê do oitavo episódio ser tão curto, visto que ele já seria reduzido pelo previously inevitável. Parece que os tão aguardados desfecho e clímax da história simplesmente não mereceram maior atenção dos realizadores (com certeza orgulhosos por terem provado sua “genialidade” só com a apresentação dos personagens). Muito menos desenvolvida foi a luta entre os dois ninjas, que é curtíssima e tem pouco mais de 1 minuto (talvez pelos realizadores acharem que mostrar apenas dois golpes do jogo já seria o bastante). Prefiro a luta energética de Scorpion e Johnny Cage no filme de ’95, que tem uma duração que caberia perfeitamente neste episódio – claro, se Tancharoen lembrasse que deveria dirigir Mortal Kombat (!) e não um projeto pessoal.  

Furos do roteiro/direção:

  1. Não há explicação para Scorpion ser consumido em chamas ao renascer, já que o personagem não apresentou nenhum indício de manipular fogo durante toda a história e lutou contra Quan-Zero (ou Sub-Chi) com artes marciais convencionais. Quer dizer que basta ser nomeado Scorpion para que o fogo seja aceito pelo espectador?
  2. Quan Chi nunca é apresentado devidamente durante sua micro-participação, sendo impossível para quem não é familiarizado com a franquia saber quem ele é e o que faz.
  3. Quan Chi simplesmente conversa com Scorpion para trazê-lo de volta à “vida”, quando o aceitável seria o feiticeiro conjurar algum tipo de magia (ou dar a entender que o fez) para que o ato aconteça.
  4. Há apenas uma razão plausível para Shang Tsung aparecer falando inglês em uma história que foi inteiramente desenvolvida em japonês: Tancharoen sabe que não apresentou o personagem devidamente e, se o colocasse também falando em japonês, correria o risco do público não o reconhecer. Isto ajudou a jogar o clima criado para a história no lixo.

"-Não conte para ninguém, mas eu não sei falar japonês!"

Com uma trilha sonora completamente inapropriada para um desfecho tão dramático, o episódio apenas mantém a média previsível dos outros e não traz nada memorável. Nem a magia de gelo, tratada com alarde por Tancharoen em entrevista, impressionou. Afinal, nem mesmo era Sub-Zero a usá-la não é? Que venha o penúltimo.

PS: Do jeito que a série caminha, grande parte dos dois episódios finais serão só a montagem dos robôs Sektor e Cyrax.

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Crítica: Mortal Kombat Legacy – Ep 7

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1842127/fullcredits#cast

Obs: Recomendo ver o sétimo episódio antes de continuar, o texto contém spoilers =) !

Este é o episódio que todos esperavam! Scorpion e Sub-Zero finalmente se enfrentarão em uma batalha fantástica e… Opa, peraí. Ah, ainda não. Claro.

Neste episódio (começo a reconsiderar esta nomenclatura, prefiro neste comercial) somos apresentados ao ninja/general Scorpion (Ian Anthony Dale) e sua família, que está à espera do Shogun do clã Shirai Ryu. Quando o general cai em uma emboscada e tem sua família raptada, descobre que o Shogun foi morto e enfrenta Sub Zero (Kevan Ohtsji), do clâ rival Lin Kuei.

Este episódio tem dois grandes méritos que, por si só, garantem seu sucesso pela verossimilhança com o universo ninja, sendo: 1- o belíssimo visual das locações, figurinos (apesar de Scorpion parecer um simples ninja, não um general) e efeitos visuais; 2-  o uso da  língua japonesa que, apesar de me parecer mecânico demais em cena, impressiona pelo fato de ser utilizado, já que americanos “não gostam” de legendas. Porém, apesar de ter um ótimo senso estético, o diretor Kevin Tancharoen demonstra não saber exatamente o que fazer com suas composições e supõe que seus espectadores não sejam inteligentes o suficiente para acompanhar sua “narrativa”, por exemplo ao ter que fazer brilhar de forma evidente e ridícula os olhos dos ninjas do clâ de Sub-Zero, para que não haja dúvida de que serão identificados. Tão discreto quanto usar uma camiseta azul estampada com LIN KUEI 4 EVER.

Ao menos neste episódio poderia ser dispensada a introdução que antecede o logotipo da série. Afinal, se vamos assistir a história de Scorpion, é desnecessário fazer um resumo de quem o protagonista é, afirmando novamente que o diretor simplesmente não tem timing para qualquer tipo de narrativa (a única que se salva é a do episódio #3), além de conduzir diálogos extensos e muito demorados – mas isto não é de fato um problema, já que a intenção era enrolar o espectador e deixar o clímax da história para a próxima semana não é? Deja-vu?

Aliás, é interessante ver como Tancharoen se acovarda ao tratar a trama de Scorpion e Sub-Zero – os dois maiores ícones do MK – com certo respeito à história original, visto que nenhuma grande liberdade estilística foi tomada desta vez. Mesmo assim, como de costume, há furos ridículos no roteiro: como pode a família de um general ficar completamente desprotegida? Eles realmente acreditam que colocar o filho do general, um garoto encantador mas irritantemente desafinado, para cantar na recepção do Shogun seria uma honraria, ao invés de simples exposição da criança como forma de aprovação incondicional? Como um general ninja pode cair em uma armadilha tão imbecil? Deus, são quatro roteiristas trabalhando nisso! Como podem?

Apesar do uso de música techno estragar um pouco o clima, o episódio é mais uma peça para o potifólio de Tancharoen que, como cineasta, será um ótimo diretor de videoclipes, visto que para o diretor a imagem é infinitamente mais importante que a narrativa. Que venha o oitavo comercial!

Update 1: Isso aqui é roupa de Scorpion!

Mortal Kombat – Rebirth

O primeiro Mortal Kombat, dirigido por Paul Anderson (para mim, o único filme relevante de sua carreira), foi um sucesso marcante em 1995 – as lutas ao som do techno eram bem legais e empolgavam bastante moleques de 10 anos, minha idade na época. Mas, mesmo com a pouca idade, era impossível não pensar: mas e o sangue? Fatalities? Cadê tudo o que faz o jogo legal e diferente?

Pois teremos todo o potencial sério da franquia retratado de maneira realista e brilhante pelas mãos de Kevin Tancharoen, responsável  pelo projeto Mortal Kombat – Rebirth. Vejam o vídeo abaixo e confiram uma prévia da visão de Tancharoen para um novo início da franquia.

Para mais informações, visitem o link abaixo:

http://www.omelete.com.br/cinema/diretor-do-curta-de-mortal-kombat-explica-seus-planos-para-possivel-longa-metragem/