Crítica: ZZ Top em São Paulo

Finalmente, após 40 anos de carreira, o trio de blues/rock texano ZZ TOP chegou ao Brasil para fazer duas apresentações em São Paulo, no Via Funchal. Uma das raríssimas bandas que ainda continuam na estrada com a mesma formação, o trio composto pelos barbudos Billy Gibbons (guitarrista/vocalista), Dusty Hill (“colina empoeirada”, se traduzirmos o nome deste baixista/vocalista literalmente) e Frank Beard (baterista que tem “barba” como sobrenome, mas é o único sem ela) fez uma das apresentações que marcaram minha memória.

 Nunca pensei que veria a banda ao vivo e saber que haveria duas apresentações na minha cidade foi uma grande alegria que nem o preço (muito) salgado do ingresso estragou. Uma das características que me chamam mais atenção no ZZ TOP é a performance de palco de Gibbons e Hill, sempre carismática. Com passos sincronizados, figurino elegante e instrumentos caracterizados é impossível não acompanhá-los a cada movimento e acorde, sempre embalados pela bateria eficiente de Beard (aliás, uma belíssima bateria com direito a amortecedores e rodas de caminhão como enfeite). Ver os velhinhos no palco fazendo tudo o que eu somente vi nos DVDs ao vivo foi uma grande alegria que valeu cada centavo.

 

 Com um setlist bem escolhido o ZZ TOP iniciou seu show energia, focando a apresentação em seus clássicos dos anos 80 – época na qual o grupo se tornou mais conhecido, através dos videoclipes de músicas como Gimme all your lovin’ – mas não deixou o início da carreira de fora incluindo, para minha surpresa e felicidade, clássicos como Brown Suggar. O palco fora decorado de forma idêntica ao do recente DVD ao vivo “Live from Texas”, com amplificadores e pedestais de microfone feitos de escapamentos de automóveis e um belo telão que mostrava vídeos que ilustravam as músicas ou antigos videoclipes, o que deixa qualquer fã mais do que satisfeito. Além disso, a banda demonstrou toda sua simpatia através de um diálogo cômico de Gibbons com três belas mulheres dizendo que veio para o Brasil de bicicleta. Impagável!

Dusty Hill, Billy Gibbons e Frank Beard no Via Funchal

 Mas apesar de todos os pontos positivos houve alguns pontos delicados que eu particularmente não notei. Há quem diga que o ZZ TOP empregou o playback em algumas músicas (dizem que talvez, devido à idade avançada, Gibbons e Hill não consigam mais desempenhar com qualidade os vocais, ou que dificuldades técnicas em algumas canções tenham feito os músicos “maquiar” solos ou passagens) e outros que criticaram o setlist apresentado, visto o grande número de grandes hits nele contido. Eu sinceramente não pude perceber playback algum, mas admito que algo possa ter passado despercebido já que preferi me ocupar cantando e me divertindo o máximo que pude com as músicas de um setlist que achei equilibrado por conter grandes sucessos e também clássicos antigos. Isso não agradaria somente aqueles fãs xiitas e puristas que adoram criticar a banda por “não ter tocado aquela faixa bônus, daquela edição especial de colecionador que saiu no começo da carreira”.

Posso dizer que foi uma daquelas experiências que não se esquece. Meu ingresso está ali na prateleira, emoldurado em um porta-retrato que separei especialmente para marcar a lembrança do dia em que vi Billy Gibbons colocar seu “chapéu de tocar blues” aqui em São Paulo para tocar mais uma música com seus parceiros de longa data Dusty Hill e Frank Beard. Quem diria que “aquela velha banda do Texas” viria de tão longe para que eu, com mais um bocado de fãs extasiados, pudesse realizar o sonho de vê-los nos entreter com um show inesquecível. Com certeza foi uma oportunidade única que me deixará com saudades sempre que ouvi-los novamente.

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